sábado, 25 de agosto de 2012

ESTUDANTES BRASILEIROS NOS EUA


 : INTERCÂMBIO

Embaixada dos Estados Unidos seleciona adolescentes para programa de intercâmbio

20/08/2012
Embaixada norte-americana vai selecionar jovens para o Programa Jovens Embaixadores com o intuito de fornecer intercâmbio para os estudantes da rede pública


imagen-relacionada
Crédito: Shutterstock.com
O programa proporciona aos futuros líderes brasileiros uma compreensão melhor sobre os Estados Unidos, ao mesmo tempo, em que eles representam seu país e levam o melhor do Brasil ao povo american

A Embaixada dos Estados Unidos vai selecionar 35 jovens brasileiros para umprograma de intercâmbio de três semanas no país norte-americano. A iniciativa faz parte do Programa Jovens Embaixadores, que está na sua 11ª edição. Para participar, oestudante deve cursar o ensino médio na rede pública, ter entre 15 e 18 anos, dominar alíngua inglesa e desenvolver trabalhos voluntários em sua comunidade.


De acordo com a Agência Brasil de notícias, a adida cultural (funcionário da embaixada) da Embaixada dosEstados UnidosSusan Bell afirma que o programa busca alunos com perfil de liderança e consciência cidadã. Ela acrescenta ainda que ao oferecer essa oportunidade aos jovens brasileiros com perfil de liderança e que se destacam em suas próprias comunidades, a Embaixada dos EUA espera estreitar cada vez mais essa parceria com o Brasil no século 21.

Susan destacou que a iniciativa aprofunda as relações entre os dois países. “Os Estados Unidos acreditam no poder de conectar brasileiros e americanos por meio desse intercâmbio. O programa proporciona aos futuros líderes brasileiros uma compreensão melhor sobre os Estados Unidos, ao mesmo tempo, em que eles representam seu país e levam o melhor do Brasil ao povo americano”, disse.

Em dez edições, cerca de 300 estudantes brasileiros participaram do programa. O interesse aumenta a cada ano. Segundo a embaixada norte-americana, até o momento 12 mil inscrições foram feitas. Em 2011, foram 7.500 inscritos. Quem tiver interesse pode se candidatar até dia 26 de agosto pelo site do programa.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

ESTUDANTES BRASILEIROS SÃO A BOLA DA VEZ NOS EUA





País recebe no fim do mês a maior missão da história de instituições de ensino superior dos EUA. Representantes querem atrair estudantes brasileiros

  • O Brasil receberá no fim deste mês a maior missão de universidades americanas de todos os tempos, o mais expressivo cortejo dessas instituições para atrair alunos brasileiros para seus corpos discentes.
Leia também:Para brasileiros, benefícios de estudar fora ofuscam custos

Entre 30 de agosto e 5 de setembro, 66 universidades dos Estados Unidos participarão de feiras estudantis em Brasília, São Paulo e Rio, dez a mais que o grupo que viajou recentemente para a Indonésia e o Vietnã, até então a missão mais numerosa.
Recentemente alçado à posição de 6ª maior economia do planeta, com uma população de poder aquisitivo crescente, precisando investir em qualificação da mão-de-obra e inovação, e com dinheiro em caixa para tal objetivo, o Brasil já virou alvo da estratégia de atração de talentos de instituições de ensino estrangeiras.
Em maio, o país recebeu uma missão de universidades canadenses, e nesta semana a prestigiosa Universidade de Oxford, na Inglaterra, enviou seu alto escalão a São Paulo para anunciar a concessão de uma nova linha de bolsas integrais financiadas com dinheiro do governo federal brasileiro.
"Vivemos num mundo cada vez mais interconectado e as universidades estão reconhecendo que precisam estar engajadas internacionalmente. Quando você pensa nos países com os quais é preciso construir um relacionamento, o Brasil entra na lista de todo mundo", disse à BBC Brasil o subsecretário americano de Comércio dos Estados Unidos, Francisco Sánchez, que vai liderar a missão americana.
A visita está sendo encabeçada pela agência de promoção de exportações americana porque, do ponto de vista americano, cada estudante brasileiro está comprando um serviço exportado pelos Estados Unidos.
Mas neste caso, lembra a secretária brasileira de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, as ligações "incorporam parcerias dos dois lados".
"Há uma convergência com o interesse brasileiro de manter contato com sistemas educacionais competitivos em termos de tecnologia e inovação, nosso interesse em estabelecer parcerias em áreas prioritárias e nosso interesse em que pesquisadores brasileiros possam ter treinamento especializado no exterior", disse a secretária à BBC Brasil.



Ciência sem Fronteiras abre inscrições para bolsas de intercâmbio na graduação

Inscrições para bolsas em instituições de sete países estão abertas até 14 de setembro. EUA têm 5 mil vagas e Alemanha outras 500



Ciência sem Fronteiras, programa do governo federal que concede bolsas a universitários e pesquisadores no exterior, abriu na última segunda-feira (6) inscrições para sete países: Alemanha, Austrália, Canadá, Coreia do Sul, Estados Unidos, Holanda e Reino Unido. Os estudantes de graduação interessados em realizar intercâmbio devem se inscrever até as 23h59 do dia 14 de setembro.

Leia também:Ciência Sem Fronteiras suspende bolsa de 25 alunos
Resposta do governo:Dilma cobra CNPq sobre não renovação de bolsas
Os Estados Unidos oferecem nessa chamada 5 mil vagas e a Alemanha outras 500. De acordo com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Ministério da Educação (MEC), os demais países não definiram quantas vagas vão ofertar nessa chamada. As vagas são para ingresso em janeiro de 2013 e setembro de 2013 e as bolsas cobram todas as despesas dos estudantes.
Para participar, o estudante deve estar matriculado em curso de nível superior numa das áreas prioritárias do programa (tecnológicas, engenharias, ciências exatas, biológicas, nanotecnologias, entre outras); ter cursado no mínimo 20% e no máximo 90% do currículo previsto para seu curso; ter bom desempenho acadêmico; proficiência no idioma exigido pelo edital e se comprometer a permanecer no Brasil pelo dobro de tempo que permanecer no exterior.
A nota de Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a partir da edição de 2009, será utilizada como critério classificatório somente nos casos em que a demanda for maior que a oferta de vagas no país de destino.
Para acessar os editais, fichas de inscrição e demais informações, visite a página de graduação do site do Ciência sem Fronteiras.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

DICAS PARA SE TER UMA GRANDE IDEIA



NOTÍCIA : DICAS

5 dicas para encontrar a sua próxima grande ideia

22/08/2012
Ideias inovadoras e soluções práticas são cada vez mais necessárias no mercado de trabalho. Se você acredita que esse tipo de comportamento não pode ser desenvolvido, confira 5 dicas que vão ajudá-lo a reconhecer oportunidades


imagen-relacionada
Crédito: Shutterstock.com
A capacidade de oferecer grandes ideias, embora precise de um empurrãozinho do talento pessoal, pode ser treinada e desenvolvida

Ser uma pessoa criativa tem sido considerado cada vez mais uma qualidade. Capacidade de oferecer inovação e soluções práticas, seja no ambiente acadêmico ou profissional, são atributos que muitos professores, universidades e empresas têm procurado nos estudantes e funcionários. Por esse motivo, muitas escolas já estão trabalhando de maneira efetiva para preparar seus estudantes para o mercado de trabalho.


Entretanto, em alguns casos, o aluno simplesmente não nasceu para cumprir ordens. Não é raro encontrar pessoas com o espírito de liderança tão aguçado que desde sempre elas sabem que seu destino é comandar, seja uma empresa, um setor ou qualquer outra área decisiva. E são essas pessoas as responsáveis por oferecer as tão conhecidas grandes ideias. Mas como fazer isso?

A boa notícia é que a capacidade de oferecer grandes ideias, embora precise de um empurrãozinho do talento pessoal, pode ser treinada e desenvolvida. Confira 5 dicas que podem ajudar você a encontrar a sua próxima grande ideia:


Como encontrar uma grande ideia: 1. Tendências confirmadas

Mantenha-se atento a tudo o que acontece ao seu redor, mas faça isso de maneira crítica. Analise as informações e acontecimentos próximos a você e ao que você deseja fazer, procure encontrar um padrão de repetição. Essa recorrência pode ser chamada de tendência e é isso que vai ajudar você a encontrar o lugar certo para se inserir. Não se esqueça de analisar também fatos que ocorrem fora do país, quanto mais informações sobre tendências você conseguir arrecadar, mais referências terá para a sua própria ideia.


Como encontrar uma grande ideia: 2. Necessidades recentes

Se as tendências que você encontrou não podem ajudá-lo com a sua nova grande ideia, uma boa opção é verificar quais são as novas necessidades da sociedade. Não é necessário que você faça isso de maneira generalizada, você pode, por exemplo, segmentar a sua área de atuação e investir em uma ideia mais específica. De toda maneira, é fundamental que você identifique quais necessidades ainda não foram preenchidas e procure soluções para esse tipo de problema.


Como encontrar uma grande ideia: 3. Mercados estabelecidos

Embora ter uma grande ideia seja fundamental para alcançar o sucesso – especialmente na sua vida profissional – você não precisa reinventar a roda. Por que não apostar em mercados já estabelecidos e comprovadamente rentáveis? Oferecer inovação não significa necessariamente oferecer um produto inédito; você pode inovar no diferencial e conquistar públicos consistentes e já estabelecidos.


Como encontrar uma grande ideia: 4. Mudanças

Você deve estar cansado de ouvir que o mercado de trabalho está em constante movimento, que as coisas mudam de maneira muito rápida ou mesmo que as necessidades dos consumidores se atualizam com uma frequencia inacreditável. Infelizmente todas as afirmações são verdadeiras e você vai precisar se manter atualizado com tudo o que acontece no mercado onde quer se inserir. Para não ficar sempre correndo atrás do prejuízo, use as mudanças como suas aliadas. Procure antecipar as novas tendências, encontre novas oportunidades a cada mudança que o mercado enfrentar.


Como encontrar uma grande ideia: 5. Parcerias

Se você teve a tão esperada grande ideia, mas não acredita na força dela, por que não encontrar alguém capaz de dividir com você a execução dela? Invista em parcerias com pessoas experientes, que já tenham conhecimento sobre aquilo que você está propondo, dessa maneira você pode unir a experiência com a inovação e ter muito mais chances de alcançar o sucesso

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

HABILIDADES NECESSÁRIAS PARA ESTUDANTES DO SÉCULO 21


A constante transformação do mundo e das tecnologias obrigou os estudantes a mudarem a maneira de aprendizado. Confira quais são as 6 habilidades necessárias para que um estudante do século 21 se saia bem nos estudos.

imagen-relacionada
Crédito: Shutterstock.com
O estudo aponta que a principal tendência é a chamada "transferência de conhecimento", que os especialistas explicam como a capacidade de aplicar o que se aprendeu em situações novas

Muito se fala sobre a necessidade de desenvolver novas competências para o século 21. Essa é uma preocupação constante dos professores: formar alunos capazes de atuar em um mundo em transformação, especialmente por meio do desenvolvimento de novas habilidades. O problema é que ninguém sabe dizer exatamente que competências são essas.


Pensando nisso, um grupo de fundações pediu ao National Reseach Council – organização norte-americana que realiza pesquisas sobre temas importantes da sociedade com o objetivo de ajudar governos a desenharem políticas públicas – que reunisse especialistas para definir quais são as competências necessárias para o século 21.

A pesquisa contou com a participação de educadores, psicólogos e economistas e depois de um ano o comitê definiu o que se espera que os estudantes alcancem nos seus ciclos escolares, futuros trabalhos e em outros aspectos da vida. O resultado foi publicado no fim de julho no livro digital “Educação para a Vida e para o Trabalho: Desenvolvendo Transferência de Conhecimento e Habilidades do Século 21”.

O estudo aponta que a principal tendência é a chamada “transferência de conhecimento”, que os especialistas explicam como a capacidade de aplicar o que se aprendeu em situações novas.

Essa e todas as outras habilidades esperadas dos estudantes foram divididas em três domínios: cognitivo, intrapessoal e interpessoal. O primeiro envolve estratégias e processo de aprendizagem e está relacionado ao método mais tradicional de ensino. Como a área tem mais oferta de pesquisas, o bom desempenho nela traz bons resultados posteriores na vida do aluno.

O segundo grande domínio, intrapessoal, se relaciona com a capacidade do estudante de lidar com emoções e moldar comportamentos para atingir objetivos, enquanto o terceiro domínio, o interpessoal, envolve a habilidade de expressar ideias, bem como de interpretar e responder aos estímulos de outras pessoas.

O que o estudante e os professores devem manter em mente, entretanto, é que nenhum desses grupos de capacidades exclui o outro, já que grande parte das habilidades encontram-se em pontos de intersecção. Algumas delas, por exemplo, são a consciência crítica, organização, responsabilidade e dedicação ao trabalho.


Confira uma lista com as 6 habilidades que o estudante do século 21 deve ter:



6 habilidades necessárias para estudantes do século 21: 1. Representações variadas

Um estudante do século 21 deve ser capaz de ler uma informação independente da maneira como ela está sendo oferecida. Para isso você deve saber como interpretar gráficos, tabelas e planilhas, representações numéricas ou mesmo simulações.


6 habilidades necessárias para estudantes do século 21: 2. Postura questionadora

Não tenha medo de expor o que você sabe durante as aulas, você deve assumir suas posições e, mais que isso, assumir uma postura questionadora. Participe dos debates propostos por professores e colegas em sala de aula.


6 habilidades necessárias para estudantes do século 21: 3. Desafios

Não se sinta constrangido em fazer parte dos desafios propostos pelos seus professores. Lembre-se de que nesses casos o trabalho deles é ser um facilitador do seu trabalho, portanto, peça feedbacks e peça ajuda com os professos de aprendizagem.


6 habilidades necessárias para estudantes do século 21: 4. Exemplos

É fundamental que um estudante do século 21 seja capaz de fazer ligações entre situações teóricas e práticas. Para isso você vai precisar da ajuda do seu professor, portanto, peça exemplos e modelos de passo a passo.


6 habilidades necessárias para estudantes do século 21. 5. Motivação

Estudantes do século 21 não podem se deixar “desanimar” por qualquer coisa, portanto, é fundamental que você seja capaz de manter-se entusiasmado. Tente conectar o que você está fazendo com as suas paixões, isso vai fazer com que você se incentive a resolver os problemas.


6 habilidades necessárias para estudantes do século 21. 6. Avaliação

Você precisa superar aquela velha ideia de que a avaliação vai acabar com as suas notas ou coisa parecida. Encare provas, testes e trabalhos como uma forma de demonstrar – até para si mesmo – todos os conhecimentos que você adquiriu.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

ESTUDAR NOS ESTADOS UNIDOS



 

Site e app para ajudar quem quer estudar nos EUA

Quem disse que fazer faculdade nos Estados Unidos é coisa só para gênios ou talentos do esporte? “As pessoas pensam isso por falta de informação. É um mito”, diz o paulista Henrique Dudugras, de 16 anos, cocriador, com mais três amigos, do Estudar nos EUA , site e aplicativo para celular que pretendem esclarecer e ajudar estudantes brasileiros a conseguir uma vaga em universidades americanas.
A ideia de criar a ferramenta surgiu da dificuldade enfrentada para encontrar informações sobre os processos de seleção de estudantes. A pesquisa realizada pelos quatro e a experiência bem sucedida de dois integrantes foram a base para o conteúdo do aplicativo. Gustavo Haddad Braga, de 17 anos, foi aprovado em Harvard, Stanford, Yale e Princeton, e escolheu estudar no Massachusetts Institute of Technology (MIT), onde ingressa no próximo semestre. Vinícius Cruz, 18 anos, também está de malas prontas para os EUA, estudará na LindenWood University, com bolsa-atleta de 100% e jogará tênis pela universidade.
crédito etraveler e Pixel Embargo / Fotolia.com
 
Anderson Ferminiano, de 18 anos, estuda inglês em São Francisco, nos EUA e ainda não foi aprovado, mas aguarda os resultados das seleções. Henrique não terminou o ensino médio e já se prepara para ingressar em uma faculdade no exterior. Ele fará intercâmbio na Alemanha no segundo semestre. “Vimos que é muito difícil encontrar as informações necessárias para aplicar e isso afasta as pessoas. Queremos ajudá-las e despertar o sonho de estudar nos EUA”, conta.
Todas as informações ficam disponíveis no site e agora também no recém lançado aplicativo, que ficou disponível no último sábado.
Como fazer um bom application
O processo de admissão em universidades americanas é muito diferente do brasileiro e assusta. Mas os meninos avisam: nem todos os alunos admitidos em universidades americanas são estrelas acadêmicas ou atletas profissionais. As instituições estão em busca de diversidade e de pessoas interessantes, que tenham algo a acrescentar.
O Estudar nos EUA mostra que a seleção é muito mais subjetiva e íntima do que se possa imaginar. Todas as partes do application (candidatura a uma vaga) são importantes e no final, o que conta é o conjunto. O estudante brasileiro terá que preencher uma inscrição pela internet com as seguintes informações: histórico escolar, atividades extracurriculares, prêmios e grandes feitos acadêmicos, cartas de recomendação, Essay (ensaio) e a nota em exames que medem o domínio da língua inglesa, como SAT e Toefl.
“Em vez de dizer que você ‘gosta de ajudar pessoas’, conte vividamente sobre um trabalho voluntário que fez”
Os quatro estudantes dão dicas precisas para quem vai fazer um application. Por exemplo, nas atividades extracurriculares, priorize aquelas que exijam liderança e dedicação. “É preferível que você participe de poucas atividades por muito tempo e com uma posição de liderança do que você participe de um monte de coisa sem realmente se dedicar a elas”, apontam.
Eles também advertem que é preciso ter muita dedicação em seu Essay, pois essa é a única parte em que se tem total controle. O texto deve ser envolvente, ter personalidade e pode colocar o candidato à frente de muitos outros. “Em vez de dizer que você ‘gosta de ajudar pessoas’, conte vividamente sobre um trabalho voluntário que fez”, aconselham os jovens.
Outra função bastante útil do aplicativo são os simulados dos exames SAT e Toefl e as listas de palavras para ampliar o repertório. “Os exames cobram um vocabulário vasto. Nossa ideia é ajudar os candidatos a estudar e a se preparar para estes exames”, destaca Henrique.
Bolsas de estudo
Estudar em uma universidade americana pode ser um investimento de cerca de US$ 60 mil anuais, por quatro anos. Mas há várias opções de bolsas, de diferentes tipos, porcentagens e que chegam a cobrir integralmente os custos da universidade e também alojamento, alimentação e até mesmo passagens aéreas para o Brasil no período de férias.
Há três modalidades de bolsas de estudo: por mérito, financeira e esportiva (para estudantes com desempenho competitivo em futebol, tênis, vela, esgrima, tênis de mesa, ginástica olímpica, natação, basquete, atletismo, golfe, vôlei ou pólo-aquático). O site/aplicativo descreve as especificações de cada uma delas e ajuda o estudante a montar seu pedido de bolsa.
Com o desenvolvimento do aplicativo, que foi criado há apenas quatro meses, será possível ter acesso a outras ferramentas como o acompanhamento do application.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Como nascem as grandes ideias ?



http://www.youtube.com/watch?v=g6tgH2dWx5c&feature=colike

STEVEN JONHSON (Clique no link acima para ver o vídeo)

Tanto o físico alemão Albert Einstein quanto o pintor espanhol Pablo Picasso estavam com 26 anos de idade quando chegaram àquelas que seriam suas maiores contribuições para a história: a teoria da relatividade e o cubismo, respectivamente. Ambos viveram na mesma sociedade fervilhante da passagem do século XIX para o XX, período em que as discussões sobre tempo e espaço esquentavam as rodas de intelectuais. Mas eles não se satisfizeram com as explicações teóricas que circulavam na época. Audaciosos, os dois decidiram experimentar caminhos novos – um na ciência e outro na arte. Questionaram as noções vigentes, trabalharam duro e acumularam tentativas até vislumbrarem conceitos totalmente originais. Em 1905, Einstein publica a célebre equação de equivalência entre massa e energia. Em 1907, Picasso conclui o quadro Les Demoiselles d’Avignon, marco do cubismo. O segredo deles? "Ambos prometeram devotar a própria vida à criatividade", diz o filósofo e historiador da ciência Arthur I.
Miller, da Universidade College London, na Inglaterra, autor de Einstein, Picasso – Space, Time and the Beauty that Causes Havoc (Einstein, Picasso – Espaço, Tempo e a Beleza que Causa Destruição, inédito em português).
Fundamental para o progresso humano, a criatividade tem contribuído com rupturas e transformações nas mais diversas áreas do conhecimento. Vem instigando a curiosidade de filósofos, pensadores e cientistas desde a antigüidade. Platão encarava o ato de criar como uma força superior e transcendental, fora do controle do indivíduo. Para o psiquiatra Sigmund Freud, o trabalho criativo era resultado da sublimação de impulsos reprimidos. O matemático Henri Poincaré afirmou que a criatividade revelava parentescos inesperados entre fatos bem conhecidos, mas erroneamente tidos como estranhos uns aos outros. Essencialmente, a criatividade pode ser definida como a capacidade de gerar idéias e comportamentos que são surpreendentes, relevantes e úteis em um dado momento.
"Tanto a originalidade quanto a utilidade das idéias variam dos níveis básicos de criatividade – ou seja, da solução bem-sucedida dos problemas cotidianos – até aquela criatividade excepcional, presente nas produções artísticas e científicas", afirma o psicólogo americano Dean Keith Simonton, da Universidade da Califórnia, em Davis, nos Estados Unidos, e autor de dezenas de trabalhos sobre o assunto.
O potencial criativo é inerente ao ser humano. No entanto, sua manifestação varia de pessoa para pessoa. "Comparo a criatividade à eletricidade, que pode tanto se expressar numa poderosa descarga elétrica durante uma tempestade como acender uma lâmpada de uns poucos volts", diz a psicóloga Eunice Soriano de Alencar, da Universidade Católica de Brasília, que há três décadas estuda o tema. Para a psicóloga Solange Muglia Wechsler, coordenadora do Centro de Criatividade e Desenvolvimento Humano da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas, no interior de São Paulo, a criatividade deve ser entendida sob dois aspectos, o individual e o coletivo. "Se você inventa uma nova receita de bolo a partir dos ingredientes que tem em casa, está sendo altamente criativo no plano pessoal. Mas, para o mundo, aquele pode ser um bolo como qualquer outro", afirma ela. As idéias, para serem consideradas geniais, passam, portanto, pelo crivo da sociedade.
"Poucos indivíduos apresentam uma criatividade tal que provoque um impacto duradouro ou profundo nos outros", diz Simonton. "Uma das razões seria o fato de que nem todos adquirem a perícia necessária para fazer contribuições genuínas em algum domínio. Uma coisa é ser um pintor de domingo, que cria paisagens razoáveis. Outra é produzir pinturas que são exibidas, vendidas e criticadas." Essa perícia, a que Simonton se refere, seria o resultado da combinação de trabalho, traços de personalidade, domínio da técnica e meio favorável. Tal conjunto de fatores contribuiria, então, para que a criatividade extrapolasse o âmbito individual e repercutisse também na sociedade.
"O indivíduo criativo pode somente trabalhar com os materiais que estão disponíveis num dado tempo e lugar. Isaac Newton não poderia ter surgido na Grécia antiga porque a ciência e a matemática daquela época não estavam suficientemente avançadas", diz Simonton. "As condições sociais, culturais, econômicas e políticas determinam a magnitude da criatividade. Algumas circunstâncias encorajam o desenvolvimento do potencial criativo ou apóiam a expressão desse potencial. Outras agem negativamente – como a guerra e a instabilidade política."
A trajetória do gênio Wolfgang Amadeus Mozart serve de exemplo. Desde cedo ele havia demonstrado um talento especial para a música. Aos 4 anos de idade já tocava cravo e violino e, aos 5, compôs seus primeiros minuetos. Além da aptidão musical, outros fatores contribuíram para sua excepcional criatividade: seu pai e seu tio eram músicos, ele teve oportunidade de viajar pelo mundo e, sobretudo, viveu numa cidade e numa época em que a música era valorizada e os grandes compositores, reconhecidos. Mozart dificilmente "nasceria" numa favela brasileira no final do século XX.
A personalidade também desempenha um papel essencial. "Estudos revelam que as pessoas criativas apresentam características em comum", diz Eunice. Os traços pessoais são mais ou menos parecidos – a criatividade geralmente está associada à independência de pensamento, à persistência, à curiosidade, à ousadia e ao inconformismo, entre outros fatores. "Além disso, os criativos apresentam uma motivação intrínseca para a realização da tarefa e sentem um prazer imenso em fazer o que estão fazendo", afirma ela. "São pessoas com um amplo conhecimento e domínio da técnica e que não se restringem à sua área de atuação." Os criativos partilham também de um rol de habilidades chamadas cognitivas: fluência de idéias, flexibilidade – ou seja, capacidade de aceitar conceitos novos –, originalidade e atenção aos detalhes.
"A criatividade exige uma capacidade de questionar todo o quadro de possíveis significados existentes, sobre uma determinada matéria, a fim de propor conceitos novos", diz Philippe Willemart, professor da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em crítica genética, o estudo dos elementos que recompõem o processo de criação artística e da produção científica. "Isso exige um distanciamento daquilo que foi aprendido e incorporado. Os criadores levam em conta o que foi feito antes, mas não assumem uma atitude resignada. Querem abrir outras portas."
Para entender o processo criativo dentro da mente, muitos especialistas ainda usam a clássica divisão em etapas: preparação, incubação, iluminação e verificação. A fase de preparação, como o nome diz, envolve a reflexão sobre o problema e os elementos que são relevantes. É o período em que a mente acumula informações. Segue-se um período de pausa, em que você deixa de focar conscientemente os dados disponíveis, já que não encontra nenhuma solução satisfatória. Sua mente, porém, continua trabalhando e passa a criar conexões entre elementos aparentemente díspares. Vem o momento do "Eureca!", o ponto máximo da inspiração, quando você enxerga a saída possível para o seu problema, a partir de uma composição de informações completamente original. Por fim, há a fase da verificação, ou seja, o momento de trabalhar e lapidar a nova idéia e checar se ela funciona.
Hoje, sabe-se que essas fases não se sucedem de modo linear, mas sim que interagem entre si de forma bem complexa. A inspiração, por exemplo, está presente em todo o processo criativo. Não existe um momento mágico nem na gênese do projeto nem no final da produção. "Foi-se o tempo de acreditar que as idéias geniais aparecem de repente na mente de indivíduos privilegiados e que basta concretizá-las", diz Cecília Almeida Salles, da PUC de São Paulo, também especialista em crítica genética. "A criação é resultado de trabalho. As idéias vão ganhando forma aos poucos. Há desvios ao longo do processo e também a interferência do acaso – um telefonema, por exemplo, pode sugerir a um escritor uma frase."
Apesar de as boas sacadas aparecerem durante todo o projeto, as origens da inspiração não são simples de serem perscrutadas. "A inspiração está relacionada a processos do pensamento que ocorrem no nível do pré-consciente", diz Eunice. O pré-consciente, na definição freudiana, é aquela parte do inconsciente à qual temos acesso e que inclui lembranças de experiências e sensações, como cheiros de alguns perfumes e impressões de viagens. São essas informações que a mente acessa, de forma aleatória, quando desenvolvemos um trabalho criativo.
"Muitas idéias vêm em sonho, quando a mente recupera cenas e imagens diversas e faz conexões inesperadas entre elas", diz Solange Wechsler. Para o neurocientista Henrique Del Nero, da USP, a criatividade é proporcional ao repertório do indivíduo: um rico banco de dados significa maior possibilidade de rearrumações significativas de informações. "A mente calcula qual a melhor jogada a partir da maior taxa de informações com a menor redundância", diz ele. Por isso, os especialistas sugerem que as pessoas busquem enriquecer aquele banco de dados com atividades que despertem a imaginação e a fantasia e gerem novas imagens, como a leitura, viagens e atividades artísticas.
"Algumas das descobertas criativas da ciência se basearam na recombinação de informações já sabidas", diz o historiador Shozo Motoyama, do Centro de História da Ciência da USP. Ele lembra o caso do químico francês Antoine Lavoisier, que descreveu o fenômeno da combustão. Experiências haviam demonstrado que, após a queima de um metal, as cinzas que restavam eram mais pesadas que o próprio metal antes da combustão. Na época, acreditava-se que o aumento do peso era causado pelas partículas de fogo que se agregavam ao metal. Para Lavoisier, tal teoria não fazia sentido. Apesar de usar a mesma metodologia que os demais cientistas, decidiu pesar o conjunto todo, inclusive o ar, e não só o metal ou as cinzas – algo que hoje parece óbvio, mas em que ninguém havia pensado. Se a teoria vigente estivesse correta, o conjunto final estaria mais pesado. Mas isso não ocorreu: o peso se manteve. Lavoisier descobriu, então, que as substâncias ao queimar não incorporavam as tais partículas de fogo.
Ficavam, na verdade, mais pesadas porque absorviam ar. Eureca!
Os cientistas não conhecem ainda a fisiologia da criatividade, mas têm algumas pistas. "Os elementos criativos são extraídos da memória, tanto a de trabalho – que retém as informações durante um curto período – quanto a memória de longo prazo", afirma o neurologista Ivan Izquierdo, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. No entanto, diz ele, existem pessoas com transtornos na memória de trabalho que apresentam uma excepcional capacidade criativa, como os esquizofrênicos. Você se lembra do matemático John Nash, retratado no filme Uma Mente Brilhante? Apesar da grave esquizofrenia, Nash era capaz de fazer associações incríveis de idéias.
"Outros que têm falha na memória de trabalho e que costumam ser bastante criativos são os depressivos. Talvez seja essa a única relação que se possa fazer, seguramente, entre biologia e criatividade", diz Ivan. O período em que saem da fossa parece ser a fase de maior explosão criativa – sentem inspiração para poemas, esculturas, músicas. "De alguma maneira, o cérebro desses indivíduos parece juntar material – lembranças, impressões, imagens – com o qual nada podem fazer naquele momento de depressão, mas que vem à tona quando melhoram", afirma. "Não se trata de ser depressivo para ser criativo. Mas tanto depressivos quanto criativos pertencem a uma categoria de pessoas muito sensíveis. Pessoas que sentem o mundo com uma intensidade maior. Há provavelmente uma base fisiológica comum, mas não a conhecemos ainda."
A relação entre criatividade e algum grau de distúrbio mental sempre foi tida como óbvia. Ela existe, mas a inspiração não nasce da insanidade. É o contrário. "A loucura não contribui em nada para a criatividade. Trata-se de um mito", diz o psicólogo e antropólogo Daniel Nettle, da Universidade Open, na Inglaterra, autor de Strong Imagination: Madness, Creativity and Human Nature (Imaginação Poderosa: Loucura, Criatividade e Natureza Humana, inédito em português). "Entretanto, muitos indivíduos criativos apresentam alto risco de desenvolver uma doença mental." Segundo Nettle, existem duas razões para isso. "A primeira é que a criatividade envolve um tipo de afrouxamento das associações mentais – que, em excesso, pode levar à psicose e à ruptura com a realidade. A outra é que capacidade criativa parece estar ligada a grandes oscilações no humor", diz. São momentos de euforia seguidos de fases de depressão.
Outra crença comum – e também errônea – é que o uso de drogas estimularia o pensamento criativo. "Todas as evidências mostram o contrário", diz Nettle. "As drogas fazem o indivíduo achar que está mais criativo, mas isso acontece porque as substâncias afetam sua capacidade de julgar. A longo prazo, a dedicação e o trabalho são comprometidos pelo uso de estimulantes, alucinógenos e tranqüilizantes."
A melhor maneira de livrar-se dos bloqueios à criatividade é buscar ambientes estimulantes, onde seja possível se expressar livremente e testar diferentes meios e perspectivas. O ócio também é fundamental. "Infelizmente nossa sociedade, ao mesmo tempo que valoriza a criatividade como um atributo necessário, privilegia os conformistas, estimula a memorização, a resposta única, os resultados mensuráveis e o excesso de regras", diz Solange Wechsler.
O indivíduo criativo tem, diante de si, duas opções: seguir a multidão – e repetir conceitos – ou trilhar um rumo completamente diferente, muitas vezes na direção oposta. Relatos de artistas e cientistas revelam que os criadores sentem que possuem um missão a cumprir. "A coisa mais importante é criar", dizia Picasso. "Nada mais importa, a criação é tudo." Que venha a inspiração.

Na livraria
Criatividade e Processo de Criação, Fayga Ostrower, Vozes, 1987
Dimensões da Criatividade, Margaret A. Bonden (org.), Artmed, 1999
Einstein, Picasso - Space, Time and the Beauty that Causes Havoc, Arthur, Miller, Basic Books, 2001
Handbook of Creativity, Robert J. Sternberg


 

A CHAVE DA CONCENTRAÇÃO




Facebook, sua cama, uma hora a mais no bar: tudo é mais interessante do que terminar o trabalho. E a culpa é do seu cérebro, que não foi feito para se concentrar. Mas não se desespere. Com algumas técnicas simples, dá para melhorar seu foco. Basta prestar atenção. (E essa já é a
dica nº 1!)

Revista Superinteressante - por gisela Blanco
Edison não conseguia se concentrar de jeito nenhum. Tinha sempre dois ou três empregos e passava o dia indo de um para o outro. Adorava trocar mensagens,e se acostumou a escrever recados curtos e constantes, às vezes para mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Apesar de ser um cara mais inteligente do que a média, sofria quando precisava ler um livro inteiro. Para completar comia rápido e dormia pouco - e não conseguia se dedicar ao casamento conturbado, por falta de tempo. Se identificou? Claro, quem não tem esses problemas? Passar horas no twitter oou no celular, correr de um lado para o outro e ter pouco tempo disponível para tantas coisas que você tem de fazer são dramas que todo mundo enfrenta. Mas esse não é um mal do nosso tempo. O rapaz da história aí em cima era ninguém menos que Thomas Edison, o inventor da lâmpada. A década era a de 1870 e o aparelho que ele uasva para mandar e receber mensagens, um telégrafo. o relato, que está em uma edição de 1910 do jornal The New York Times, conta que quando Edison finalmente percebeu que seu problema era falta de concentração, parou tudo. Se fechou em seu escritório e se focou em um problema de cada vez.
É verdade que tudo ao nosso redor serve para nos distrair. Que as ferramentas criadas para roubar o seu tempo estão cada vez mais interessantes. E que todos aqueles links na internet são muito mais legais do que o seu trabalho. Homens do tempo de Edison não tinham um celular que tocava ou recebia e-rnails enquanto eles tentavam ler um livro - mas a luta humana pela concentração está longe de ser um problema moderno. Na ver­dade é bem mais antigo do que você imagina.
Respire fundo
Então vamos lá. Concentre-se. Você está conseguindo ler esse texto? Ótimo! Só podemos acreditar em você. Afinal, é difícil medir exatamente o quanto você está prestando atenção aqui. Não há nenhuma maneira científica de medir essa forma pro­longada de atenção que nós chamamos de concentração. Isso porque ela não é tarefa de uma área específica, mas de um con­junto de sistemas que envolve o cérebro inteiro. O que a neu­rociência já sabe é que se trata de um processo de escolha do que é importante. Vamos entender na prática.
Você está em uma festa barulhenta, lotada de pessoas. Al­guém interessante se aproxima e puxa assunto. Nesse momen­to, seu cérebro a elege como o foco mais importante e ignora todos os outros estímulos ao redor. Quase todas suas habilida­des cognitivas estão na conversa. "O lobo frontal, responsável pelo comportamento e pela tomada de decisões, é especial­mente importante na concentração, mas praticamente todo o sistema sensorial está envolvido", afirma o neurologista Ivan Hideyo Okamoto, da Universidade Federal de São Paulo. Emo­ções e memória, por exemplo, têm grande influência no que e no quanto você vai se concentrar. A origem disso está no siste­ma límbico, que comanda as emoções - ele sempre vai favorecer os elementos que despertam sensações intensas. Por isso é tão fácil se concentrar na pessoa interes­sante que puxa papo. Com todos os seus sentidos voltados para algo tão importante (conseguir um telefone no fim da conversa, por exemplo), fica di­fícil não se concentrar.
Mas o verdadeiro desafio é focar naquilo que não é tão fascinante assim. Você sabe do que estamos falando: certamente já tentou estudar para uma prova ou prestar atenção no seu chefe, mas simples­mente não conseguiu. A culpa para a sua mente avo­ada está nos nossos ancestrais. Seu cérebro simples­mente não foi moldado pela evolução para passar muito tempo focado no mesmo assunto. Nossos pa­rentes evolutivos - outros mamíferos, aves e répteis - precisavam sempre tomar decisões rápidas. Fugir de um predador, caçar, procurar abrigo. Para todos os outros animais, reparar em tudo o que se passa ao redor significa sobreviver. "Para nossos ancestrais, o tipo de concentração que queremos ter agora não era necessária", diz o psicólogo Gary Marcus, da Universidade de Nova York. Por isso, nosso cérebro foi moldado para ser rápido demais e atento a tudo o que acontece à volta. Passou milhares de anos se aprimorando para prestar atenção nos perigos das savanas, e não em um ponto estático, como esta re­vista. Só agora, que temos a vida fácil, em que com­pramos nossa comida no supermercado, é que se tornou necessário concentrar.
Para nossa sorte, e ao contrário de outros animais, somos capazes de acionar nosso neocórtex - a parte mais evoluída do cérebro - para tomar decisões a longo prazo. Como a de estudar para uma prova, por exemplo. Mas, para cumpri-Ias, precisamos lutar contra a parte mais primitiva que carregamos - nos­so cérebro reptiliano. Ele foi programado ao longo de milhares de anos para buscar recompensas ime­diatas. "É por isso que é tão difícil resistir àquelas batatas fritas quando você está de dieta. O prazer de comê-Ias é uma recompensa muito mais rápida do que os quilos a menos que você veria na balança da­qui a alguns meses", diz Gary Marcus.
Da mesma forma, por que ler um livro inteiro se comentar as fotos dos seus amigos no Facebook é muito mais divertido? Abrir várias abas no seu na­vegador e descobrir rapidamente tudo o que está acontecendo são coisas instintivamente prazerosas. Aliás, pesquisas recentes mostram que esse prazer pode ser tão viciante quanto o álcool. É que receber seus e-rnails ou ver aquelas atualizações dos seus amigos libera dopamina, um importante neuro­transmissor ligado ao prazer e à motivação. "Ela está por trás do nosso comportamento de busca, da von­tade de procurar por algo novo. É ela que nos faz curiosos por novas ideias e informações", afirma em seu blog a psicóloga Susan Weinschenk, autora do livro Neuro Web Design: What makes them click? (Neuro Web Design: O Que Os Faz Clicar?, sem tradução no Brasil ainda). É isso que faz com que seja impossível ig­norar a caixa de mensagens quando você sabe que tem mensagens novas: nosso cérebro as entende como uma tentação irresistivel. "Com twitter e e-mail, nós agora temos uma gratificação instantânea e constante para o nosso desejo de buscar" , diz. Ou seja, não é a internet que nos distrai, nós é que construímos a internet da forma que ela mais nos agrada: distraindo-nos. Por isso, ela é cheia de janelas clicáveis, abas que se abrem e avisos visuais e sonoros.
Opa, mas então como é que você conseguiu se con­centrar para ler esse texto até aqui? (Quer dizer, você ainda está aí, né?) É que se concentrar pode ser uma tarefa difícil por natureza, mas está longe de ser impos­sível. "Felizmente nosso cérebro se adapta facilmente ao que aprendemos. Por isso é possível treinar a capa­cidade de concentração", diz David Schlesinger, neu­rocientista do Hospital Albert Einstein. Ele se refere à plasticidade do cérebro, aquela capacidade dos seus neurônios de se redistribuir de acordo com a necessi­dade e o treino. Aliás, talvez você não saiba, mas ao ler essa revista já está treinando a concentração.
• Concentre-se quem puder
Assim como outros traços de personalidade, a habili­dade de se concentrar varia de uma pessoa para outra. Isso acontece porque alguns têm um controle melhor sobre a parte repitiliana do cérebro. "Assim como al­gumas pessoas se viciam com mais facilidade em álco­ol do que outras, alguns cérebros são calibrados para gostar mais de se desconcentrar. Outros já têm mais facilidade de atenção", afirma Gary Marcus.
Para os neurologistas, boa parte da capacidade de se concentrar vem marcada no seu DNA. O que não quer dizer que ela esteja sendo usada a pleno vapor. O neu­rocientista americano Michael Posner, da Universidade de Oregon, desenvolveu um modelo de 3 partes para estudar como funciona a atenção no cérebro. A primei­ra função é a de alerta, que nos mantêm atentos, básica para qualquer pessoa que esteja acordada. Depois, vem a função de orientação, que nos permite focar na infor­mação que escolhemos no momento - como você ago­ra escolheu ler esse texto. E a atenção executiva, a mais complexa de todas, é a que regula a habilidade de pres­tar atenção em algo que definimos a longo prazo, igno­rando emoções e estímulos imediatos.
Agora, Posner estuda como diferenças fisiológicas nesses circuitos podem moldar a personalidade das crianças e influenciar na capacidade de controlar emoções e pensamentos (que costumam tirar a concentração). Crianças que têm como ponto forte o sistema de orienta­ção, por exemplo, podem virar adultos com facilidade para observar detalhes que a maioria das pessoas costuma deixar passar, como uma boa oportunidade de negócio. Já quem tem as redes executivas fortes tem facilidade para driblar distrações e se concentrar a longo prazo no que é realmente importante. É aquele cara da sua turma da escola que conseguia prestar atenção na aula mesmo com toda a gritaria e bolinhas de papel voando pelo ar. Para você, ele podia ser apenas um übernerd. Para o professor Michael Posner, ele tem uma característica que faz parte da personalidade de pessoas bem-sucedidas, aquelas que conseguem facilmente expulsar pensamentos inconve­nientes e focar nos objetivos.
Mas não vale culpar a natureza: distrair-se com facilidade não é uma sentença de fracasso. Boa parte dos psicólogos, por exemplo, acredita que a concentração não é inata, mas algo que pode ser ensinado ao longo da vida. "É uma característica cul­tural, construída com o aprendizado" , diz a psicóloga Marilene Proença, professora da Universidade de São Paulo. E uma das melhores formas de se concentrar é meditando. Para Marilena, a única coisa que difere você dos monges budistas, que conse­guem ficar 5 horas em posição de lótus visualizando o nada, é que eles treinaram o foco desde cedo. Ou seja, meditação - e concentração - é questão de treino.
Meditar é um exercício de concentração tão bom para o seu cérebro quanto levantar pesos na academia é para seu bíceps. Um estudo da Universidade da Califórnia mostrou que a medi­tação intensa pode ajudar a manter e sustentar o foco até mes­mo durante as tarefas mais chatas. Os pesquisadores aplicaram testes de concentração em 60 voluntários e depois os dividiram em dois grupos. O primeiro foi mandado para um retiro de 3 meses em um centro de meditação. Passavam pelo menos 5 ho­ras por dia meditando. O segundo continuou com a rotina de sempre. Ao fim dos 3 meses, foram aplicados novos testes. Os participantes precisavam se concentrar em uma tela de com­putador em que apareciam linhas retas. Quando uma delas fosse levemente mais curta, deveriam clicar com o mouse. Um teste bem chato - mas aqueles participantes que passaram pela temporada de meditação se saíram muito melhor.
Fazer coisas que você gosta, aliás, é a forma mais simples de se concentrar. Da mesma forma como um filme bom faz o tem­po passar rápido, uma tarefa monótona pode fazer cada minu­to parecer uma eternidade. Para o psicólogo Nicholas Hobbs, um dos maiores especialistas em desenvolvimento cognitivo, a melhor forma de garantir a atenção é escolher atividades desa­fiadoras. Se a tarefa é tão difícil que você quase não é capaz de cumpri-Ia, certamente vai exigir que você se concentre mais. (Mas não exagere: tarefas impossíveis também distraem.)
Mas é claro que nem sempre você gosta ou é desafiado por tudo o que precisa fazer. Às vezes o trabalho é simplesmente chato, mas mesmo assim precisa ser feito. "Nesses casos, o tru­que é transformá-lo em um tipo de jogo, focando em uma fase de cada vez", diz a escritora americana Winifred Gallagher. Ul­trapassar etapas, uma a uma, pode deixar o processo todo mais interessante. Algo parecido com as estratégias de gamification, aqueles pontos e títulos que alguns programas ou aplicativos conferem a cada tarefa cumprida (como no Farmville, por exemplo). Para encarar um dia de escrever relatórios, você pode primeiro fazer uma lista com tudo o que precisa cumprir. A cada tarefa riscada da lista, você ganha um ponto - e, se o trabalho for grande, dois pontos. Com 5 pontos, você pode se conceder algo como um chocolate ou um cafezinho. Com 10, ganha meia hora de vídeos no YouTube ou outra rede social. Parece besteira - mas realmente ajuda.
Outra dica é alternar esses afazeres com outros mais relaxan­tes, como dar uma volta em um parque ou tomar uma água com um colega. Ou ainda com outros mais intelectualmente esti­mulantes para você, como aprender a tocar violão ou estudar um novo idioma. É que a nossa concentração funciona em ci­clos: "De 45 minutos a uma hora é o máximo de tempo que amaioria das pessoas consegue se concentrar em um só assunto. Por isso precisamos de intervalos entre as aulas, por exemplo", afirma David Schlesinger. Um estudo recente mostra que até mesmo aqueles minutos que você gasta assistindo vídeos no Youtube ou comprando cupons de descontos podem ser bons para a sua produtividade. Pesquisadores da Universidade de Melbourne, na Austrália, analisaram a rotina de 300 trabalha­dores e perceberam que aqueles que faziam breves pausas durante o dia para ler ou assistir coisas pessoais na internet ti­nham uma produtividade quase 10% maior. (Dica preciosa para dividir com o chefe amanhã.)
Tudo pode depender ainda do grau de exigência que você se impõe. É fato: todos temos cada vez mais informações para ab­sorver. O que pressupõe também mais dificuldade para nos concentrar e reter cada uma delas. O psicólogo Mihály Csíkszentmihályi (ele é húngaro, daí o nome) tentou entender o fenômeno calculando a quantidade de in­formações que nossas redes neurais são capazes de ab­sorver. E ele chegou a um número: apenas 110 bits por segundo. Ouvir alguém falar, por exemplo, requer o processamento de 40 bps. Ou seja: tem 70 bits sobran­do aí para você usar em distrações ao redor. Por isso é possível rabiscar num papel ou pensar na conta que você tem de pagar enquanto ouve a conversa. Utilizar os 110 bps em uma atividade seria o equivalente ao que Csíkszentmihályi chama de "flow", aquele estado de concentração absoluto que faz com que você nem per­ceba o tempo passar. Como quando você assiste seu filme preferido, lê um livro tão bom ou conversa com alguém tão interessante que não consegue parar.
Alguns especialistas acreditam que a explicação para a sua falta de concentração não é que o seu cérebro seja lento, mas, na verdade, veloz demais. "Somos mais rá­pidos para pensar do que para ler. Por isso temos difi­culdades para focar em ler um livro, por exemplo. Nos­sa mente busca preencher o espaço vazio com várias informações", afirma Ivan Okamoto.
Para quem quer começar a se concentrar mais, vale imitar os monges. Visualize um ponto ou imagine a chama de uma vela e tente não pensar em mais nada por alguns minutos. Toda vez que a sua mente for parar longe, traga de volta. Você vai ver que não é fácil. Ou­ tros conselhos básicos são: desligar o celular, a televi­são, a internet - se precisar de um método radical, des­ligue o modem da tomada! - e qualquer outro aparelho que puder roubar sua atenção. Criar uma rotina, fazer listas com as prioridades do dia, aprender a se organi­zar e reservar horários para resolver cada coisa de uma vez também ajuda - principalmente na hora de afastar da sua cabeça aquelas preocupações com outras de­mandas que poderiam distrair. Afinal, uma boa forma de afastar as distrações é tirá -las da cabeça. "Você fica­ria surpreso com o volume de coisas em que consegue pensar e resolver em apenas um dia", afirma David Al­len, autor do livro A Arte de Fazer Acontecer.
Seja qual for o método, em uma coisa todos os es­pecialistas concordam: a concentração é uma capaci­dade que pode sempre ser aprimorada. Se você con­seguiu se concentrar o bastante para ler essa matéria até aqui de uma vez só, provavelmente sabe disso. Se você começou, parou, voltou ou já pulou direto para - esta parte, tudo bem também: nunca é tarde para retornar ao começo e tentar de novo. Da próxima vez, quem sabe, um pouco mais concentrado.

• Cabeça vazia, lar da atenção
1 - O problema - Para começar a se con­centrar, é uma boa usar técnicas de relaxamento. Segundo especialistas em meditação, nosso cé­rebro trabalha normal­mente em uma frequên­cia muito alta, lidando com uma grande quanti­dade de informações.
2 - O meio - O primeiro passo é bai­xar o fluxo dos pensa­mentos a um nível pare­cido com a meditação. Para isso, foque na respi­ração. Preste realmente atenção no ar que entra e sai, na quantidade e in­tensidade. Assim você esvazia o cérebro.
3 - O fim - O exercicio mais difícil é focar em um ponto está­tico. Imagine a chama de uma vela e tente contro­lar o movimento com a mente. O desafio aqui é pensar em nada - o que é bem difícil. Nossa ca­beça preenche espaços com pensamentos.
Para saber mais
Rapt . Attention and the Focused Life. Winnifred Gallagher, Penguin Books, 2010.
A Arte de Fazer Acontecer. David Allen, Elsevier, 2005.